Provérbios 4:23 diz do coração: “...dele procedem as fontes da vida”. “Fontes”, quando se refere a um rio, são a origem ou a nascente daquele rio. As “fontes da vida”, então, são a origem ou a nascente da nossa alma - a nascente do meu eu real. Esta é a área dos nossos motivos e atitudes.
Como uma fonte natural, esses motivos geralmente são escondidos, até dos nossos
próprios olhos. Nós raramente vemos as fontes na nascente de um rio ou lago, mas pode-se
ver tudo que flui delas. Acontece o mesmo com os motivos e com as atitudes. Nós
raramente os vemos ou os definimos, mas o que flui deles governa tudo o que está no
restante de nossas vidas.
Tragicamente, a maioria dos cristãos nunca toca esta área de suas vidas. Contudo,
de uma maneira muito real o “extravio” da maioria dos cristãos é um resultado direto de
problemas na área dos motivos e das atitudes que nunca foram reconhecidos e tratados.
Há sementes encobertas nesta área que podem brotar e crescer produzindo resultados
drásticos de engano e destruição se não forem removidas.
No Sermão do Monte, quando Jesus se dirigiu aos discípulos judeus, ele estava falando para um povo que tinha sido educado primariamente com uma ênfase na vida exterior das ações religiosas. Enquanto eles guardavam a lei de Moisés e se conformavam ao padrão vigente de comportamento, eles se consideravam como tendo um bom relacionamento com Deus. Neste discurso Jesus expôs os princípios dominantes do reino de Deus para mostrar-lhes que Seu governo vai além daquilo que
fazemos; ele alcança nossos pensamentos e emoções, e finalmente nossos motivos e
atitudes.
Primeiro, ele tocou a vida religiosa deles no nível descoberto: “Ouvistes que foi dito
aos antigos: Não matarás”. Não matar é um ato descoberto. “Eu, porém, vos digo que todo
aquele que se irar...” Aqui ele os levou um passo adiante para fazê-los entender que por trás
do pecado descoberto está o pecado encoberto, e que o homem interior é tão importante
quanto o homem exterior.
“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.” Novamente, está falando de um ato
descoberto. “Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção
impura...” Este é um ato encoberto. Pouco a pouco Jesus os está conscientizando das reais
exigências do reino de Deus.
Em Mateus seis, Jesus leva seus discípulos do nível dos pensamentos e emoções,
para o que está abaixo da linha de fundo, onde há o nível dos motivos e atitudes. Ele diz:
“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles.”
Ele estava tocando o motivo por trás de grande parte da atividade religiosa: No exterior,
os líderes religiosos agiam como santos e justos e guardavam a lei, mas nas suas raízes
seus motivos eram impuros.
Três vezes no parágrafo, quando se refere a orar, dar esmolas, e jejuar, Jesus toca os
motivos impuros dos homens religiosos, definindo seu motivo como o desejo “de ser visto
pelos homens”. Qualquer atividade, não importa quão boa seja, é condenada como
hipocrisia se é feita a partir de um motivo errado.
MOTIVOS E ATITUDES
Os motivos e as atitudes podem ser definidos da seguinte forma:
Os motivos determinam as minhas ações. As atitudes determinam as minhas reações.
Os motivos são aquelas coisas que me levam a agir (ou a não agir).
“Motivo” tem a mesma origem da palavra “motor”, e como os motores, os motivos nos
impulsionam. Os motivos são sempre expressos por um verbo: “ganhar dinheiro”, “fazer a
vontade de Deus”, “ser visto pelos homens”.
Qualquer que seja a motivação, é certo que o comportamento interior ou exterior
resulta dela. Por exemplo: Se eu for motivado por um profundo desejo de ser importante,
deixarei de tomar posições impopulares, mudarei minhas opiniões para concordar com
aqueles que desejo impressionar, procurarei me relacionar com pessoas importantes,
escolherei o ministério e a revelação que me farão o centro da atenção: contudo durante
todo o tempo eu posso estar inconsciente do que eu estou fazendo.
O desejo de ter uma vida tranqüila é uma das motivações predominantes hoje. Este
motivo se manifesta pelo desejo de se desviar dos confrontos, pela má vontade de estar
profundamente envolvido na vida de pessoas que estão em problemas, pelo hábito de
colocar curativos nas situações ao invés de tratar com elas radicalmente, por fazer apenas o
mínimo possível e pela resistência à mudança na sua rotina diária.
As motivações da vida de uma pessoa produzem evidentemente determinados
padrões de comportamento que dificilmente poderão ser modificados sem uma mudança
fundamental do próprio motivo.
Uma atitude é o fator que determina as minhas reações. Uma atitude é o sentimento,
posição ou entendimento que uma pessoa tem de uma determinada questão ou situação.
Ela é expressada como a declaração de um fato: “As pessoas não são dignas de confiança”;
“o dinheiro não presta”; ou “meu tempo é minha propriedade”. Todas são atitudes que me
farão reagir de determinadas maneiras em uma dada situação. As atitudes são minhas
perspectivas da vida, a medida que eu uso para medir e interpretar cada situação. Elas
podem ser entendidas como os “óculos” através dos quais vejo a vida. De acordo com a cor
dos meus óculos será a cor de cada experiência e situação. Por exemplo, se eu sinto que o
dinheiro não presta, então todo o meu salário, minhas ofertas e outros assuntos
relacionados com finanças, vão ter a cor desta atitude.
Muitas pessoas reagem de maneira estranhas nas diversas situações por causa de atitudes que elas nem sabem que possuem.
Aqui estão algumas atitudes que causam problemas. “Você não pode confiar nas pessoas”. As pessoas que têm essa atitude são sempre temerosas de estabelecer um relacionamento com alguém. Elas se abrem, mas nunca o suficiente para que sejam realmente vulneráveis aos outros. Por causa de sua dificuldade em confiar em seus irmãos, é-lhes difícil também confiar genuinamente em Deus.
“Eu sou dessa maneira por causa de circunstâncias, pais, criação, educação ou experiências ruins.” Tais pessoas raramente assumem a responsabilidade pelas suas ações, e culpam os outros pelas suas faltas. Elas sempre têm uma desculpa porque elas são como são. E porque elas se consideram vítimas, estão sempre com pena de si mesmas.
“Eu mereço mais do que estou recebendo.” Tais pessoas são invejosas das bênçãos
dos outros, ingratas pelo que elas têm, e geralmente são amarguradas com Deus e com os
outros pela maneira como são tratadas.
Na próxima publicação, a última parte desta palavra: A Raíz do Problema. Não perca!


